Tempos atrás, com o lançamento do filme dos Simpsons, pipocaram vários artigos acerca do sucesso que faz esse seriado. A maioria das resenhas acabava por discorrer sobre o tom ácido e crítico da série, tom esse que, em tese, exporia as mazelas da sociedade norte-americana. Infelizmente, um olhar mais atento demonstra que a série defende o status quo norte-americano.Como conseqüência de uma crítica rasa, “Os Simpsons” defende o status quo norte-americano. Isso porque, ao transferir os problemas da sociedade a seus representantes, a série acaba por valorizar suas estruturas e suas instituições. A cada episódio, o telespectador se reconforta ao saber que todos os problemas sociais residem naqueles que estão no poder. E ainda: a cada episódio, por mais que os laços familiares sejam estremecidos, por mais que a Springfield seja abalada, a série acaba por retornar a um estado inicial que ignora o ponto de chegada do episódio precedente; o telespectador consome uma mensagem de alta redundância, em que não há ponto de chegada, evolução narrativa. Trata-se do consumo de uma não-história.
“Os Simpsons”, série de sucesso que “critica” a sociedade norte-americana, deve seu sucesso justamente por não fazer nenhuma crítica séria. Pelo contrário, anseia o status quo e ajuda a mantê-lo.
